segunda-feira, agosto 16, 2004



Pensando nos Outros

Ou "Fazendo o que está ao meu alcance"



Toda segunda, quarta e sexta-feira é dia em que o lixeiro vem recolher o lixo.
Mas o que isso tem a ver com o título do post?
É que eu percebi que, sempre antes de o lixeiro passar, uma senhora vem com uma carroça (daquelas em que as pessoas puxam) com uma criança pequena em cima, e revira todo o lixo, procurando latas de aluminio e garrafas pet, que ela cata para vender.
A primeira vista, aquilo me causou certa repulsa e um sentimento estranho.
Eu não queria que ninguém mexesse no "meu" lixo. Mas um instante depois eu pensei: "Que situação degradante! Onde está o poder público, que não dá emprego ou oportunidade a esta senhora?"
Não trocamos sequer um "Bom dia!", e ela seguiu seu caminho, de cabeça baixa...

Mas aquela imagem não saia da minha mente:Aquela mulher e aquela criança, revirando o lixo...

Então eu resolvi fazer o que era possível a mim: Ao separar o lixo na vez seguinte, separei todas as garrafas pet num saco separado. Assim, quando ela chegasse não precisaria revirar o lixo. Bem, pelo menos não o que eu tinha separado.

Quando a vi, cumprimentei-a com um "Bom dia!" e fui timidamente retribuída. Ao ofercer-lhe o saco com garrafas pet que tinha separado, percebi um brilho em seu olhar que me fez sentir pequenininha: Por que não fazemos algo mais?

Precisamos fazer da coleta seletiva um hábito, para nossa própria sobreviência e bem estar.

Não dá pra ser feliz numa sociedade em que uma imensa porção de seus cidadãos reviram lixo pra sobreviver e quase ninguém se incomoda...

Bem, eu já ando falando com meus vizinhos e agora com vocês. Alguém tem mais alguma idéia?

Namasté.